Fetichismo da Mercadoria

Identificação do texto

Marx, Karl (2005). “Secção 4. O fetichismo da Mercadoria e o seu Segredo”. Retirado em 3 de Abril de 2007 de: http://www.marxists.org/portugues/marx/1867/ocapital-v1/index.htm.

Género ou tipo de texto

O texto sob análise é parte integrante da obra de Karl Marx, O Capital. Esta obra surge como uma crítica ao capitalismo e é considerado por muitos uma obra que deu origem ao pensamento socialista marxista.

Tema central

Neste texto Karl Marx desenvolveu uma teoria económica e política para o fetiche. Para a escola marxista, o fetiche é um elemento fundamental da manutenção do modo de produção capitalista. Consiste numa ilusão que naturaliza um ambiente social específico, revelando a sua aparência de igualdade e ocultando a essência da desigualdade.

O fetiche da mercadoria, postulado por Marx, opõe-se à ideia de valor de uso, refere-se unicamente à utilidade do produto. O fetiche relaciona-se à fantasia que paira sobre o objecto, projectando nele uma relação social definida, estabelecida entre os homens.

Público-alvo

O conceito de fetichismo da mercadoria é um dos menos compreendidos dos conceitos que Marx realizou na crítica a Economia Política.

Este texto poderá suscitar o interesse de capitalistas, empresários, professores, estudantes e investigadores.

Tese Central

O fetichismo da mercadoria, descrito no primeiro capítulo da obra O Capital, revela a criação de um mundo onde as relações sociais ocorrem através das coisas, as coisas têm o poder de estabelecer as relações sociais e os homens estabelecem relações materiais. A partir desta forma de ser das relações humanas no sistema capitalista, o mundo da mercadoria alarga-se, o processo de expansão do capital adquire uma impressionante força, impulsionado pela supressão das distâncias e do tempo.

Em que consiste fetichismo? No facto de que, com a universalização da produção de mercadorias, as relações sociais entre os produtores passam a ser mascaradas pelas relações de troca entre as diferentes mercadorias. Assim, as relações sociais entre as pessoas aparecem como relações sociais entre coisas. Porque a forma da mercadoria baseia-se no esvaziamento do conteúdo sócio-histórico-simbólico dos produtos do trabalho humano. A base de tudo é o trabalho abstracto.

Análise efectuada pelos alunos

Impressões a quente

Depois das leitura deste texto diríamos que fetichismo da mercadoria monstra a relação mercantil oculta, no mais simples acto produtivo, a estruturação do poder, a presença das classes e sua organização e desigualdade estrutural. Tudo se passa como se houvesse uma troca entre mercadorias.

Construção do Conteúdo

Marx, ao examinar o capitalismo, mostrou como as relações de desigualdade estrutural entre pessoas aparecem como meras relações entre coisas.

Um fetiche é um ídolo, um amuleto, algo enfeitiçado, que tem poderes inexplicáveis, de origens misteriosas. Para Marx a mercadoria parecesse com isto, “no facto de que ela reflecte aos homens as características sociais do seu próprio trabalho como características objectivas dos próprios produtos de trabalho, como propriedades naturais sociais dessas coisas e, por isso, também reflecte a relação social dos produtos com o trabalho total como uma relação existente fora deles, entre objectos”[1].

Marx explica o processo através do qual o fetiche da mercadoria se coloca: “Os objectos de uso tornam-se mercadorias apenas por serem produtos de trabalhos privados, exercidos independentemente uns dos outros. O complexo desses trabalhos privados forma o trabalho social total. Como os produtores somente entram em contacto social mediante a troca de seus produtos de trabalho, as características especificamente sociais de seus trabalhos privados só aparecem dentro dessa troca. Em outras palavras, os trabalhos privados só actuam de facto, como membros do trabalho social total, por meio das relações que a troca estabeleceu entre os produtos do trabalho e, por meio dos mesmos, entre produtores”[2].

O valor das mercadorias parece ser um dado objectivo, quando na verdade, segundo Marx, este valor tem por base o trabalho humano nela objectivado.

O fetichismo pode ser entendido como essência de todo o sistema económico de Marx, como um elemento-chave que permite diferenciar seu método do método dos economistas clássicos.

Para tornar mais clara a importância da ideia de fetichismo no esquema teórico marxista, é importante referir a noção de preço político em contraposição à de preço de mercado. Considerando o preço como expressão monetária do valor, as relações que valem para o preço valem também para o valor. Se numa sociedade de tipo socialista, o preço (e o valor) é politicamente determinado, não se esconde nos produtos, nas coisas, nenhuma relação de produção. Ao contrário do que ocorre num sistema de mercado. No socialismo, a relação é do tipo homem-homem, não havendo a necessidade da interposição da mercadoria. Ou seja, não se constitui uma relação homem-mercadoria-homem. Os objectos de uso não se tornam mercadorias, pois não são produtos de trabalhos privados. Os objectos de uso, portanto, não se fetichizam; não se apresentam assim atributos mágicos ou escondendo relações sociais. A forma social valor, na verdade, perde significado. É clara a relação entre trabalho individual e trabalho social.

Marx no texto em análise define o conceito de mercadoria, como uma coisa muito complexa, cheia de subtilezas metafísicas e de astúcias teológicas. A mercadoria enquanto bem pode ser classificada segundo: O Valor de Uso e

o Valor de Troca.

O valor de usose realiza no processo de consumo, e refere-se às necessidades que podem ser satisfeitas pelas propriedades de um bem na sua qualidade de artefacto físico. Contudo, a necessidade satisfeita por um valor de uso não tem de ser necessariamente uma necessidade física. O valor da troca refere-se ao valor que um produto tem para troca com outros produtos, ou seja, no capitalismo, os produtos do trabalho tomam a forma de mercadorias.

Uma mercadoria, segundo Adam Smith, não tem simplesmente um valor de uso. As mercadorias são feitas, não para serem consumidas directamente, mas para serem vendidas no mercado. São produzidas para serem trocadas.

O valor de troca e o valor de uso relacionam-se directamente com a quantidade de trabalho necessária para a produção de um bem. Para Marx, o lucro não se realiza por meio da troca de mercadorias, que se trocam geralmente pelo seu valor, mas sim na sua produção. Os trabalhadores não recebem o valor correspondente ao seu trabalho, mas apenas o necessário para a sua sobrevivência. Nasce assim o conceito de mais valia, que é a diferença entre o valor incorporado a um bem e a remuneração do trabalho que foi necessário para a sua produção.

Apreciação

Para melhor compreender o texto em análise achamos que por bem analisar outros textos de Marx, na mesma obra O Capital, e também analisar teorias de outros autores como Adam Smith e Ricardo.

No nosso ponto de vista o fetichismo da mercadoria esconde não o objecto desejado, mas as relações que são desejadas e não acontecem. E não acontecem porque a relação mercado-lógico não deixa, está no caminho.

É que sob o capitalismo, as mercadorias é que têm vida social. As pessoas relacionam-se através delas. As pessoas são que se tornam coisas. São aquilo que possuem. Nos dois casos, as coisas ganham propriedades mágicas. Aparecem como se tivessem um valor próprio e não como objectos que só têm sentido quando utilizados pelos seres humanos.

No nosso ponto de vista perante isto, as pessoas aprendem que a riqueza social é produzir mercadorias. Mas, Marx considera que a riqueza social não se mede pela quantidade de mercadorias produzidas. E sim pela capacidade de transformar a criatividade humana em valor a ser apreciado de forma comunitária e não de forma monetária.

Concluímos o feiticismo da mercadoria designa o facto de o valor dos produtos acabar por ser atribuído às suas qualidades intrínsecas, fazendo assim esquecer que elas foram fabricadas pelo homem. Esta ilusão leva que a relação entre homens, em simples relações entre coisas. O mundo do objecto acaba por dominar o mundo dos homens. Todos os valores tornam-se, objectos das relações mercantis

A virtude, o amor, a fé, o sorriso, etc., tornam-se objectos de comércio. Numa só palavra tudo se torna mercantil.”[3]

Na sociedade capitalista, o dinheiro torna-se o verdadeiro poder divino, segundo Marx o “o deus deste mundo[4]




[1] MARX, 1983, p. 71.

[2] Ibid, p. 71.

[3] Ètienne, Jean, et al, 1998, p. 22.

[4] Ibid, p.22.

9 respostas a Fetichismo da Mercadoria

  1. willian diz:

    Será que eu posso ir um pouco mais a fundo deste texto

  2. É certo que o homem produza bens naturais, e que os consuma. Entretanto é de fato certo que ele obtenha lucro através da troca de valores, ou melhor dizendo, lucro para sí e seus mantimentos (produções).

  3. Cilena Castelo Alves diz:

    Infelizmente o homem é visto não pelas suas qualidades e sim pelos bens que possui.

  4. denise diz:

    Como é sensacional as idéias deste grande sociólogo. Como ele foi profundo nas respostas de seua questionamentos. Estudando sociologia, passei a conhecer um pouco as coisas atras dos panos.(do teatro do capitalismo) Karl marx trouxe para mim uma nova reflexão do mundo e novos conhecimentos cientificos, reais.

  5. denise diz:

    Quero consertar um item no meu comentário anterior. Karl Marx não era sociologo e sim socialista

  6. o dinheiro compra materiais, super fluxos, luxo, conforto. Pode até dar uma sensação de felicidade, poder!… Mas realmente será que: esse mesmo dinheiro fará você ter quem você gosta?Ou será pelo simples fato de você ter dinheiro ou fama.? Segundo Max o dinheiro Deus do poder divino. Uma visão capitalista e materialista:no meu ponto de vista.

  7. jocely diz:

    a sociologia me faz viver no mundo novo atraves do capitalismo podemos alcancar objetivos e conhecer o papel de cada filosofo da epoca. :

  8. Márcia da S Gonçalves diz:

    antiga mente tinha se a moeda de troca ,que se trocava alimentos por alimentos, mas isso foi num passado bem distante…!hoje no mundo em que vivemos precismos de dinheiro pra tudo…?estamos num mundo globalizado a onde o dinheiro se tornou um mal nescessario para a humanidade, e que muitos não sabe como administrar tanto dinheiro.O dinheiro pode comprar muita coisas e pessoas, mas não compra a vida e Jesus………….

  9. os seus estudos foram dirigidos para a percepção e a sensação do movimento….buscavam a comprienção dos processos psicologicos envolvidos na ilusão de ótica…..qdo fisicamente o estímulo ,é percebido pelo individuo como uma forma diferente da que ele tem na realidade….

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