Macaco e Homem

Identificação do Texto

ENGELS, Friedrich (2004). “O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem.” Retirado em 3 de Abril de 2007. Retirado do site: http://marxists.org/portugues/marx/1876/otrabalhonatransformacaodomacacoemhome.htm

Tema (ideia principal)

Neste texto o tema principal é a transformação do macaco em homem, tendo como base a evolução do trabalho. É a partir desta ideia que se desenvolve todo o texto.

À medida que as necessidades humanas iam evoluindo, também o trabalho se ia transformando. Para Engles o trabalho “é a primeira condição básica para toda a existência humana, e isto em tal grau que, em certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem”. [1]

Tese central

A ideia central do texto remete-nos para a evolução do homem com base no trabalho. O autor, para descrever essa evolução vai fazê-la por passos, isto é, inicialmente faz referencia à importância da mão e do desenvolvimento da posição erecta, depois na linguagem e no cérebro e por último fala-nos da alimentação, nas novas actividades e no factor Natureza.

 

Público-alvo

Este texto é transversal a muitas áreas dado o seu tema. Pode suscitar interesses de estudantes universitários, historiadores, sociólogos, provocando a aceitação ou discórdia de muitos.

 

Análise efectuada pelos alunos

Ideias a quente

Após a leitura do texto, e sem fazer uma construção muito lógica e coerente acerca deste, o que podemos dizer é que a transformação geral que se deu no homem ao longo dos tempos, foi uma transformação que teve por base uma questão de necessidade (o homem foi obrigado a transformar-se), à medida que novas etapas (novas exigências) se iam processando também o homem as acompanhava.

Todas as transformações que se deram no homem também se deram na natureza, uma vez que este para conseguir satisfazer as suas necessidades ia-se apropriando da natureza. Importa salientar ainda que entre o homem e o animal existe uma relação face à natureza

Construção e conteúdo

Engels, filosofo alemão com interesse em áreas como o evolucionismo, dialéctica da natureza, desenvolveu o texto O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem, começando por sustentar que a natureza é fonte fornecedora de materiais que por sua vez nos dá trabalho e consequentemente fonte de riqueza.

No período terciário do desenvolvimento da terra, vivia num lugar da zona tropical, uma raça de macacos muito desenvolvida. Eram nossos antepassados, que viviam em manadas, nas árvores, sendo obrigados a trepar.

No período terciário do desenvolvimento da terra, vivia num lugar da zona tropical, uma raça de macacos muito desenvolvida, os nossos antepassados. Viviam em manadas, nas árvores, sendo obrigados a trepar por estas.

Ao trepar, as mãos tinham funções diferentes dos pés: “Foram-se acostumando a prescindir das suas mãos ao caminhar pelo chão e começaram a adoptar cada vez mais uma posição erecta.[2]

O macaco tem uma mão com as mesmas características que o homem. Contudo uma enorme distância separa a mão primitiva dos macacos. A grande diferença entre elas é que nenhuma mão do macaco construiu um machado, por mais malfeito que fosse. Assim, a mão não é apenas o órgão de trabalho, mas sim e também o produto dele. “[A mão não era] algo com existência própria e independente (…) e o que beneficiava à mão beneficiava também a todo o corpo servido por ela.” [3]

A posição erecta depressa se tornou uma necessidade. Enquanto trepavam, as mãos eram utilizadas de uma maneira diferente dos pés.

Para Engels a adaptação dos pés ao andar em posição erecta e o aperfeiçoamento crescente da mão, e baseada na lei de Darwin, influenciaram obviamente outras partes do organismo.

Assim sendo o desenvolvimento da mão, conduziu ao trabalho e ao domínio sobre a natureza. Tudo isso ia “ampliando os horizontes do homem, levando-o a descobrir constantemente nos objectos novas propriedade ate então desconhecidas. Por outro lado o desenvolvimento do trabalho ao multiplicar casos de ajuda mútua e de actividade conjunta, e ao mostrar assim as vantagens dessa actividade conjunta para cada indivíduo, tinha que contribuir forçosamente para agrupar ainda mais os membros da sociedade[4]

O desenvolvimento do trabalho, em correspondência com a ajuda mútua e uma necessidade de comunicação, levou ao desenvolvimento da linguagem.

O aperfeiçoamento da linguagem, levou a um melhor desenvolvimento do cérebro humano mas, segundo Engels, o importante para a transformação do cérebro do macaco em cérebro humano é “o trabalho, e depois dele e com ele, a palavra articulada”. [5]

A transformação dos macacos em seres humanos partiu de uma “alimentação cada vez mais variada[6] oferecendo “ao organismo novas transformações e novas substâncias (…)[7]

Com a elaboração de novos instrumentos para actividades como a caça e a pesca, (sendo os de caça utilizados também como armas) assistimos a uma passagem de uma alimentação rica em vegetais para uma alimentação rica em carne. A alimentação rica em carne ofereceu ao organismo os ingredientes mais essenciais para o seu metabolismo. E quanto mais o homem se afastava do reino vegetal, mais se elevava face aos outros animais.

“ [O cérebro] recebeu assim em quantidade muito maior do que antes, as substâncias necessárias à sua alimentação e desenvolvimento, com o que se foi tornando maior e mais rápido o seu aperfeiçoamento de geração em geração.”[8]

O consumo de carne também significou dois avanços de extrema importância: o uso do fogo e a domesticação dos animais. Estes dois avanços são “novos meios de emancipação.” [9]

Graças à cooperação da mão, dos órgãos da linguagem e do cérebro, não só em cada indivíduo mas também na sociedade, os homens foram aprendendo a executar operações cada vez mais complexas, estabelecendo novas actividades: agricultura, fiação, tecelagem, elaboração de metais, olaria, navegação, comércio, ofícios, artes, ciências, nações, Estado, direito, politica, religião. Assim, “o rápido processo de civilização foi atribuído exclusivamente à cabeça, ao desenvolvimento e à actividade do cérebro. Os homens acostumam-se a explicar os seus actos pelos seus pensamentos, em lugar de procurar essa explicação nas suas necessidades.” [10]

Os animais destroem a vegetação sem darem conta do que fazem, ao contrário do homem, que destrói a vegetação com fins de utilizar a terra para semear trigo ou plantar árvores. “[Os animais só podem] utilizar a natureza e modificá-la pelo mero facto da sua presença nela. O homem, ao contrário, “modifica a natureza e obriga-a a servir-lhe, domina-a.” [11]

 

Apreciação

O trabalho foi a base da evolução do homem. À medida que o homem evolui e se transforma também modifica o que esta à sua volta. Todas estas transformações são feitas com base na evolução humana que tem por trás a evolução do trabalho.

Assim, quando as exigências humanas se transformam também o trabalho se vai transformando.

As transformações que se vão fazendo vão ter as mais diversificadas consequências, umas mais previsíveis que outras (que vão do social ao natural).

Por exemplo, tal como o autor refere no texto, “os homens que, nos séculos XVII e XVIII haviam trabalhado para criar a máquina a vapor, não suspeitavam que estavam a criar um instrumento que, mais do que nenhum outro, haveria de subverter as condições sociais em todo o mundo e que sobretudo na Europa, ao concentrar a riqueza nas mãos de uma minoria e ao privar de toda a propriedade a imensa maioria da população (…)”. [12]

Em todas estas transformações, que resultam da apropriação da natureza para conseguirmos obter o que desejamos, resulta uma diferença entre o homem e o animal. Esta reside no facto de o homem, para além de utilizar a natureza, também a modifica e domina, ao contrário dos animais que a utilizam para a sua própria sobrevivência e modificam-na pela sua presença.




[1] ENGELS, Friedrich (2004). “O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem.”, pp. 1

[2] Ibid, pp. 2

[3] Ibid, pp. 3

[4] Ibid, pp. 4

[5] Ibid, pp. 5

[6] Ibid, pp.6

[7] Ibid, pp. 6

[8] Ibid, pp. 7

[9] Ibid, pp. 8

[10] Ibid, pp. 9

[11] Ibid, pp. 9

[12] Ibid, pp. 12

 

 

Uma resposta a Macaco e Homem

  1. ketlin diz:

    muitooo boom o texto parabéns

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